Centro de Andrologia e Urologia


Alongamento peniano, mitos e verdades

12/05/2008 12:21

              Não é pequeno o número de pacientes que busca os consultórios urológicos para esclarecimentos quanto ao tamanho normal do pênis, bem como para tratamento de pênis supostamente pequenos. A maioria dos indivíduos que solicita a cirurgia para aumento do pênis, na nossa experiência, apresenta uma idéia distorcida sobre o corpo como um todo e falsos conceitos sobre o tamanho normal da genitália. Realizamos um estudo, alguns anos atrás, sobre o tamanho médio do pênis no nosso meio, com o intuito de termos argumentos objetivos sobre a realidade da variação de tamanhos. E isto ajudou para mostrarmos que um pênis maior ou menor não significa que é anormal. O mais importante é a função do órgão, que deve estar preservada. É claro que existem indicações precisas para a cirurgia de aumento peniano, que são: traumatismo peniano com perda de um segmento, secções parciais do pênis devidas a tumor, na retração peniana do lesado medular, e nas infecções penianas com importante retração do órgão. Também nos casos de micropênis onde, no adulto, o pênis mede menos de 7,5 cm em ereção.

            Seria correto aceitarmos uma solicitação de cirurgia de alongamento peniano para melhorarmos a auto-imagem do paciente ou deveríamos esclarecer melhor o assunto? Isto é, não seria mais prudente conversarmos sobre o que é o procedimento? Muitas vezes o que ocorre é simplesmente um pênis escondido na gordura da região suprapúbica. A literatura médica fala de parcos milímetros de aumento, após o procedimento cirúrgico. E não devemos esquecer que esta não é uma cirurgia sem complicações. Pode ocorrer infecção, formação de “orelhas de cachorro” nas extremidades das incisões, “anestesia” do pênis por lesão de nervos durante a cirurgia, grandes cicatrizes sem pêlos, e, muitas vezes, falência do procedimento, isto é, não há nenhum aumento do órgão. Também pode ser colocada gordura abaixo da pele para promover um aumento da espessura. Porém, com o passar do tempo, parte desta gordura é reabsorvida e ficam uns nódulos, resultantes de depósitos irregulares desta gordura. O pênis, muitas vezes, fica completamente distorcido.

A resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e a resolução 1478/97 do Conselho Federal de Medicina dizem o seguinte: “A cirurgia para aumento peniano deve ser considerada como técnica experimental, devendo ser realizada em pacientes selecionados e em centros de pesquisa credenciados (hospitais universitários) de acordo com as normas de pesquisa envolvendo seres humanos”. Isto significa que os pacientes devem ser bem orientados que este procedimento é experimental, e que ainda não foi aprovado para ser realizado de forma rotineira. Provavelmente porque ainda não temos resultados bons, obtidos por grupos sérios e respeitados, e publicados na literatura mundial.

 

 Quando isto ocorrer talvez então possamos realizar cirurgias para alongamento peniano, com fins estritamente estéticos.

 

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